Raymundo Silveira Irritado e magoado com o deboche da senhora Nice poa (ou Eunice), escrevi lá:
-® Essa historinha é mais do que um desabafo. É, principalmente, um testemunho histórico para registrar o processo de escolha de quem é ou não é digno de figurar numa “Enciclopédia”, nos primórdios da Internet.
Meu neto, Lucas, tem dezessete anos e adora o avô. Na sua ingenuidade, achou que seria um belo presente de aniversário, inserir o nome dele (no caso o meu) como verbete da Wikipédia. Como é um expert em informática, mas analfabeto em maldade humana, entendeu que qualquer pessoa poderia receber tal homenagem, desde que tivesse escrevinhado algumas linhas. Não sem muita razão, pois viu lá o nome de gente conhecida dele, mas com quase nenhuma notoriedade.
Eu, com pós-doutorado em maldade humana, mas semi-analfabeto em informática, forneci a ele a lista dos inexpressivos prêmios que recebi, de Junho de 2006 até hoje (10 de Fevereiro de 2008), período em que competi, de fato, em concursos literários. Cuidava que se tratava de algo virtual; sem muito valor real; uma brincadeirinha...
Um cidadão português que, ao que tudo indica, é uma espécie de Capo di tutti Capi da Wikipéda, achou por bem excluir o meu nome, alegando, sem qualquer tipo de prova concreta que: “As evidências me fazem acreditar que seja um artigo de vaidade... criado pelo próprio Raysilveira...” Tirante a assertiva maldosa e leviana: “as evidências me fazem acreditar que seja um artigo de vaidade... criado pelo próprio Raysilveira” (a única evidência que vejo é que ele já me conhecia, pois meu neto nunca escreveu lá este nick, Raysilveira, mas sempre Raymundo Silveira), concordaria com a decisão dele, haja vista o meu não merecimento. Mas não se limitou a isto. Antes, fez questão de me execrar e humilhar publicamente. Então, submeteu durante uma semana o meu nome a um jogo de cartas marcadas para que os seus subalternos, além de votarem pela minha “eliminação”, escrevessem um comentário abaixo da lista dos sufrágios.
Vejam bem: Isto aconteceu sem eu tomar qualquer conhecimento prévio. Soube de tudo casualmente, ao consultar a enciclopédia e, perplexo, deparar com esta página onde estava escrito em letras garrafais: “Página Para Eliminar Raymundo Silveira”. (Eliminar mesmo. Aqui no Nordeste esta palavra tem conotação de assassinato, daí a minha perplexidade).
Uma senhora, Dona Eunice poa - decerto um codinome, pois os sites de pesquisa da Web não o localizam -, além de verbete da enciclopédia, é uma das escolhedoras de quem deve ficar ou sair. Até aí, tudo bem. Tem todo o direito de ser eleitora do empreendimento e da proposição do cidadão lusitano, seu chefe.
Mas não se limitou a isso. Escreveu no espaço destinado aos tais comentários, “que tinha ido conferir” as assertivas do superior. Antes, porém, escreveu uma fileira de kkkkkk, que, na simbologia da Internet brasileira, equivale a uma gargalhada sarcástica.
Antes desta ocorrência, minha única interferência ateve-se a pedir ao chefe para retirar o meu nome, sem necessidade de votação. Fiz-lhe ver que tal procedimento só era compatível com os processos medievais do Santo Inquérito... da Inquisição. Aliás, pior, pois naquele, o réu tinha o direito de defesa que eu não tive. O cidadão fez ouvidos de mercador.
“Dona Nice e os seus kkkkkk”
Guarde os seus kkkkkk, D. Nice. Não os desperdice por tão pouco... Serão eles compatíveis com alguém que é verbete de Enciclopédia? Expresse-se pelo menos em Português, Dona Nice. De qualquer maneira, muito obrigado. Seu comentário sarcástico me serviu de lição. Espero que a senhora nunca venha a ser acusada de palhaçadas e que ninguém vá olhar você e os seus kkkkkk. E se for, que os evite escrever também. Grande abraço Raymundo Silveira.”
Ao que ela respondeu:
“Por gentileza, deixe em paz a minha discussão, pois vc já disse o que queria dizer, eu já li, e foi o suficiente! Seja maduro e saiba aceitar que na vida nem tudo ocorre como gostaríamos que ocorresse. Manter a postura é mais digno do que agir da forma que está agindo. Se está sentindo-se humilhado com a votação, deixe quieto, pois quanto mais se manifestar com falta de educação, mais hits no google apareceram mostrando esta sua atitude pouco meritória. Vá fazer outra coisa mais útil. Atenciosamente, --Nice”
Ou seja, Dona Nice poa não está mais subtraindo o direito de defesa do réu: está pedindo que este também se abstenha de se defender, em seu próprio benefício.
Obviamente, tive de ir à tréplica:
“Dona Nice.
É muito fácil mandar a vítima de humilhação se calar quando somos o algoz. Se já fui humilhado uma vez, não importa quantas mais o serei, D. Eunice. Não tenho mais nada a perder. A senhora, não sei. Mas pode crer, vou ficar lhe filmando. Não só eu como muita gente. Ao menor deslize indigno de uma mulher Verbete de Enciclopédia, a senhora será execrada também. A Wikipédia não é a única arena. Nem na Internet nem fora dela Dona Eunice. Raymundo Silveira”.
Daqui em diante, este testemunho perde o valor histórico, pois não se sabe se o que Dona Nice poa escreveu foi uma resposta ou uma parábola. Além disso, foi subitamente suprimida a minha única possibilidade de defesa: a palavra.

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