Escrevinhação & Escrevedura


09/11/2008


"LA FOULE"

“Como uma mina que nunca deu pra mais ninguém passo duro cabeça levantada sem oscilar para os lados para cima ou para baixo Chamam-me espada Não entendo o porquê pareço peixe É única e é só minha Menor do que eu corpinho rechonchudo penugens sedosas rente às coxas de acariciar com tremuras Passeio nos seus seios saciando os meus anseios Ambos adoramos Parece cinismo E até Nietzsche já disse algo parecido Não custa nada lembrar Só uma coisa tem valor o seu valor Mas o país da Felicidade cuja capital é Saudade tem limites Sua fronteira mais próxima é com a vizinha Ridícula Ri de quê? Ri-di-cu-la Jamais nos beijamos Impossível Mas nos abraçamos com freqüência e apesar de a Hilda Hilst achar que a vida é líquida não concordamos pensamos que nem é sólida é solidão A dois Sempre viajamos juntos Aliás nunca nos separamos seria fatal Estávamos em Paris desconfiava Mas turistas acham que o Céu é perto Pensando melhor turista acreditam que o Céu é deles. Ainda mais estando com uma garrafa de champanhe na cabeça Sim era uma festa Não só Paris a França inteira E eu pensava que também éramos E bebia mais champanhe para comemorar A sua dureza caiu como um raio. Em plenos Champs-Élysées. A alguns centímetros ela sorria e acenava No entrenós um mar de gente alucinada Tarde-noite do desfile Lusco-fusco O desespero não eu investiu a cotoveladas e empurrões abrindo clareiras na multidão até tocar aquele braço sem abraço mas com vontade desesperada de abraçar De repente nos puxaram como se quisessem nos separar Loucura mais forte do que nós Só fisicamente o nosso impulso foi menor Uma força sobre-humana nos possuiu e avançamos de novo Abraçamo-nos Tinha o hálito do Jardim do Éden e a maciez dela mesma Segundos de delírios apenas segundos Nem sequer nos tocamos A maré de gente repuxava e estirava cada vez mais Quase nos separaram Esticões intermitentes Mas continuava impávida a poucos centímetros A angústia de não vê-la me impedia de enxergar Sempre levado pela onda cambaleei a esmo subi e desci dezenas de vezes sem me dar conta as escadas rolantes do metrô. Tinha de ser racional Dominar-me Afagar razão e afogar emoções Em vão Pedia para um viciado jogar fora um quilo de cocaína pura depois de inalar a primeira dose De súbito avistei-a A multidão nos arrastou feito um vagalhão e nos atirou novamente nos braços Abraços Amassos Desta vez nos atracamos como dois afogados se atracam a madeira que bóia Esmagavam-nos deliciosamente um contra o outro e os dois contra todos Nossos corpos triturados por moinhos de ventos humanos se fundiam E enquanto acionavam as suas mós malucas nos deixavam cada vez mais inebriados de desejo Tarde da noite Ninguém cansado o entusiasmo não arrefece A multidão dança uma dança provençal amalucada e avança rumo à Place de La Concorde nos levando de roldão Esmagação que não esmagava Nossos corpos enlaçados levados por um tsunami e prestes a arremeter como se espremidos por catapultas de compressão”

Escrito por doutorsilveira às 17h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/10/2008


Prêmios Literários. A Partir de Junho/2006, quando começou a competir I

1 -XI CONCURSO DE PROSA (Seguro Saúde)
Prêmio Professor Antonio Carlos de Almeida
Bragança Paulista
http://www.gargantadaserpente.com/encanta/c_asesprosa_r.shtml


2 -Fundação Cultural
Cassiano Ricardo (Clone Fantasma)
http://www.fccr.org.br/destaques/resultado_antologias.htm


3 -1º Concurso de Contos das Livrarias Curitiba (Título: Ilha da Páscoa)
http://www2.livrariascuritiba.com.br/index.php?system=news&action=read&id=277&eid=124

4 - 3º Concurso Guemanisse de Contos e Poesias (Hoje)
http://www.guemanisse.com.br/content/view/84/52/

5 -XXVI JOGOS FLORAIS DO ALGARVE Portugal /2006 (Clone Fantasma)
http://www.racal-clube.pt/Pages/Jogos-florais_Premiados.htm

6 -II CONCURSO NACIONAL DE CONTO E POESIA DE CHAPECÓ SC (A Valsa)
http://www.gargantadaserpente.com/encanta/c_ache_r.shtml

 

7 -INTERAÇÃO - RESULTADO DA SELEÇÃO DE CRÔNICAS E POEMAS

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25358242

 

8 - PRIMEIRO CONCURSO DE CONTOS DA EDITORA ARTE LITERÁRIA (A Última Vez Que Viu Paris)
http://www.arteliteraria.com.br/

 

9 - PRIMEIRO CONCURSO DE POESIA DA EDITORA ARTE LITERÁRIA  (terceiro Lugar) Não Apaguem as estrelas

http://www.arteliteraria.com.br/

 

10 - PRIMEIRO CONCURSO DE POESIA DA EDITORA ARTE LITERÁRIA  (menção honrosa) A Vida Numa Casca de Noz

http://www.arteliteraria.com.br/

 

11 - 1º CONCURSO NACIONAL DE POESIA " POETA BENEDITO NASCIMENTO SANTOS" 2006 – Promoção da Academia Itajubense de Letras (Não Apaguem as Estrelas) Menção Honrosa.

http://www.blocosonline.com.br/literatura/servic/serconcresulta07.php

 

12 - Concurso Livro de Graça na Praça (Primeiro Socorro)

http://www.mg.senac.br/v2005/noticias/contos_vencedores_livro_de_graca.htm

 

13 – Concurso de Contos e Poesias “1º Prêmio Jovem Escritor" (Segundo Lugar) O Fazedor de Charque

http://www.editoradeleon.com.br/website.htm

http://www.editoradeleon.com.br/premiacao.htm

 

14 – Portal Literal TERRA (A SEMANA) Primeiro Lugar  (31 de Maio 2007)

http://portalliteral.terra.com.br/

http://portalliteral.terra.com.br/Literal/calandra.nsf/0/86C1286F6F351D9D032572EA0075B11F?

Escrito por doutorsilveira às 12h23
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Prêmios Literários (A Partir de Junho/2006, quando começou a competir) II

 

15 - CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA CIDADE DE SANTA ROSA (Sufocação)

http://ases.zip.net/index.html

 

 

16 - PRÊMIOS DA União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) Livro de Contos “Memórias de Um Não Nascido” (3º Lugar)

http://www.edirmeirelles.com/ube_RESULTADOS.htm

http://www.meiotom.art.br/resultado7ube.htm

 

 

17 - UNIFEOB 3º Concurso Literário Octávio da Silva Bastos (Sufoco)

http://www.feob.br/novo/cursos/letras/index_noticias_int.asp?id=1065

http://www.meiotom.art.br/resultado7bastos.htm

 

18 - "O Universo feminino: realidade, sonho e ficção". (SESC – AMAZONAS) “O Mito de Capitu”

 

19 - XVII Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho Segundo Lugar (AMADADAMA)

http://www.meiotom.art.br/resultado7goyta.htm

http://www.campos.rj.gov.br/noticia.php?id=12669

 

20 - Prémio Literário Paul Harris-2007 Livro de Contos

Promovido pelo Rotary Club de Faro – Portugal

http://www.meiotom.art.br/resultado7harris.htm

 

 

21 – III Concurso de Contos de Cordeiro (Frenesi – Menção Honrosa)

http://www.overmundo.com.br/agenda/iii-concurso-de-contos-de-cordeiro-rj

 

22 PRÊMIO NACIONAL MENDONÇA JÚNIOR DE CRÔNICA E POESIA (Segundo Lugar: “Eu, Imortal”)

http://www.extralagoas.com.br/noticia.kmf?noticia=6983300&canal=342

 

23 - I CONCURSO DE CONTOS CURTOS FATEC-MOCOCA

TEMPORADA 2007/2008

SELECIONADOS (Três contos premiados: IMOLAÇÃO, A ARTE DE AMAR, FRENESI)

http://www.fatecmococa.com.br/default/sis/Default.asp?Artigo=67

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=266647&tid=2571495569080854093&na=2&nst=35

 

24 - XXXI Concurso Literário Felippe D'Oliveira – 2008

Conto,Crônica e Poesia (O ESQUERDISTA)

http://www.santamaria.rs.gov.br/index.php?secao=literario_result

http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=266647&tid=5227043802746177121

 

25 - XVI Concurso de Poesia, Conto e Crônica da Academia de Letras de São João da Boa Vista. (PRIMEIRO LUGAR: “Ponta Esquerda”).

http://www.blocosonline.com.br/literatura/servic/serconcresulta08.php

http://www.meiotom.art.br/resultado8boav.htm

 

26 - 13º Concurso Literário Portugal-Brasil  e XI CONCURSO LITERÁRIO - ALGARVE-BRASIL / 2008 “ALDEOTA” (Menção Honrosa) http://www.geocities.com/clubedasimpatia/c1.html

http://www.meiotom.art.br/resultado8portugal.htm

 

27 - XIII CONCURSO DE PROSA (Bragança Paulista - 2008) Prêmio Jornalista José Carlos Chiarion “EXTREMA ESQUERDA”

http://www.asesbp.com.br/concursos/XIII_prosa_result.htm

 

28 - Prêmio UFF de Literatura 2008:
júri divulga finalistas

http://www.eduff.uff.br/noticias.php?id=359

 

Escrito por doutorsilveira às 12h21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

06/03/2008


PÁGINA PARA MOSTRAR QUEM É O VERDADEIRO PORTUGUÊS JOÃO CARALHO

 

Ou

 

(FLEURY, Beria & HIMMLER TAMBÉM GANHAVAM PRÊMIOS)

 

As evidências me fazem acreditar que o português JOÃO CARALHO, farmacêutico, nascido em Lisboa  a 23/10/1950, administrador da WIKIPEDIA e, de acordo com ele mesmo, multipremiado, utiliza métodos nazi-fascistas, ou imita os da PIDE do seu compatriota Oliveira Salazar, porque:

 

1 – Sente-se acima da lei, de tudo e de todos.

 

2 - Acusa e submete à execração pública, sem provas, pessoas inocentes. Fui acusado por ele de ter imposto, por pura vaidade, o meu imerecido nome à wikipédia.  Quando quem o fez na verdade, foi o meu neto, na ingênua tentativa de homenagear o avô escrevinhador, na data do seu aniversário. Na sua imaturidade, o jovem (quase criança) achou que se tratava de um simples Blog como outro qualquer.

 

3 – Simula ignorar os apelos patéticos de adolescentes ingênuos, numa violência só comparável à do mais sinistro carrasco dos campos de concentração nazista.

 

4 – Chantageia e ameaça pessoas cujos nomes já constam como verbetes, ou são seus subordinados, para homologar suas decisões arbitrárias e autoritárias.

 

5 – Usa como principal pretexto para o seu execrável modus operandi, prêmios anunciados por ele mesmo. Mal sabe que os maiores tiranos da humanidade também receberam prêmios e comendas muito mais importantes que os dele.

 

6 – Mantém-se indiferente aos argumentos das suas vítimas, mesmo em se tratando de menores aflitos ou de adultos enfermos. Sequer comunica previamente a elas, vítimas, o que pode e VAI (sem qualquer apelação) lhes acontecer.

 

Fortaleza, 27 de Fevereiro de 2008

 

Raymundo Silveira

Escrito por doutorsilveira às 17h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/02/2008


DONA EUNICE poa E SEUS KKKKKK®

 Raymundo Silveira


Meu neto, Lucas, tem dezessete anos e adora o avô. Na sua ingenuidade, achou que seria um belo presente de aniversário, inserir o nome dele (no caso o meu) como verbete da Wikipédia. Como é um expert em informática, mas analfabeto em maldade humana, entendeu que qualquer pessoa poderia receber tal homenagem, desde que tivesse escrevinhado algumas linhas. Não sem muita razão, pois viu lá o nome de gente conhecida dele, mas com quase nenhuma notoriedade.

Eu, com pós-doutorado em maldade humana, mas semi-analfabeto em informática, forneci a ele a lista dos inexpressivos prêmios que recebi, de Junho de 2006 até hoje (10 de Fevereiro de 2008), período em que competi, de fato, em concursos literários. Cuidava que se tratava de algo virtual; sem muito valor real; uma brincadeirinha...


Um cidadão português que, ao que tudo indica, é uma espécie de Capo di tutti Capi da Wikipéda, achou por bem excluir o meu nome, alegando, sem qualquer tipo de prova concreta que: “As evidências me fazem acreditar que seja um artigo de vaidade... criado pelo próprio Raysilveira...” Tirante a assertiva maldosa e leviana: “as evidências me fazem acreditar que seja um artigo de vaidade... criado pelo próprio Raysilveira” (a única evidência que vejo é que ele já me conhecia, pois meu neto nunca escreveu lá este nick, Raysilveira, mas sempre Raymundo Silveira), concordaria com a decisão dele, haja vista o meu não merecimento. Mas não se limitou a isto. Antes, fez questão de me execrar e humilhar publicamente. Então, submeteu durante uma semana o meu nome a um jogo de cartas marcadas para que os seus subalternos, além de votarem pela minha “eliminação”, escrevessem um comentário abaixo da lista dos sufrágios.


Vejam bem:  Isto aconteceu sem eu tomar qualquer conhecimento prévio. Soube de tudo casualmente, ao consultar a enciclopédia e, perplexo, deparar com esta página onde estava escrito em letras garrafais: “Página Para Eliminar Raymundo Silveira”. (Eliminar mesmo. Aqui no Nordeste esta palavra tem conotação de assassinato, daí a minha perplexidade).


Uma senhora, Dona Eunice poa - decerto um codinome, pois os sites de pesquisa da Web não o localizam -, além de verbete da enciclopédia, é uma das escolhedoras de quem deve ficar ou sair. Até aí, tudo bem. Tem todo o direito de ser eleitora do empreendimento e da proposição do cidadão lusitano, seu chefe.


Mas não se limitou a isso. Escreveu no espaço destinado aos tais comentários, “que tinha ido conferir” as assertivas do superior. Antes, porém, escreveu uma fileira de kkkkkk, que, na simbologia da Internet brasileira, equivale a uma gargalhada sarcástica.

Antes desta ocorrência, minha única interferência ateve-se a pedir ao chefe para retirar o meu nome, sem necessidade de votação. Fiz-lhe ver que tal procedimento só era compatível com os processos medievais do Santo Inquérito... da Inquisição. Aliás, pior, pois naquele, o réu tinha o direito de defesa que eu não tive. O cidadão fez ouvidos de mercador.

 

Irritado e magoado com o deboche da senhora Nice poa (ou Eunice), escrevi lá:

“Dona Nice e os seus kkkkkk”

 
Guarde os seus kkkkkk, D. Nice. Não os desperdice por tão pouco... Serão eles compatíveis com alguém que é verbete de Enciclopédia? Expresse-se pelo menos em Português, Dona Nice. De qualquer maneira, muito obrigado. Seu comentário sarcástico me serviu de lição. Espero que a senhora nunca venha a ser acusada de palhaçadas e que ninguém vá olhar você e os seus kkkkkk. E se for, que os evite escrever também. Grande abraço Raymundo Silveira.”  


Ao que ela respondeu:


“Por gentileza, deixe em paz a minha discussão, pois vc já disse o que queria dizer, eu já li, e foi o suficiente! Seja maduro e saiba aceitar que na vida nem tudo ocorre como gostaríamos que ocorresse. Manter a postura é mais digno do que agir da forma que está agindo. Se está sentindo-se humilhado com a votação, deixe quieto, pois quanto mais se manifestar com falta de educação, mais hits no google apareceram mostrando esta sua atitude pouco meritória. Vá fazer outra coisa mais útil. Atenciosamente, --Nice”


Ou seja, Dona Nice poa não está mais subtraindo o direito de defesa do réu: está pedindo que este também se abstenha de se defender, em seu próprio benefício.

Obviamente, tive de ir à tréplica:


“Dona Nice.


É muito fácil mandar a vítima de humilhação se calar quando somos o algoz. Se já fui humilhado uma vez, não importa quantas mais o serei, D. Eunice. Não tenho mais nada a perder. A senhora, não sei. Mas pode crer, vou ficar lhe filmando. Não só eu como muita gente. Ao menor deslize indigno de uma mulher Verbete de Enciclopédia, a senhora será execrada também. A Wikipédia não é a única arena. Nem na Internet nem fora dela Dona Eunice. Raymundo Silveira”.


Daqui em diante, este testemunho perde o valor histórico, pois não se sabe se o que Dona Nice poa escreveu foi uma resposta ou uma parábola. Além disso, foi subitamente suprimida a minha única possibilidade de defesa: a palavra.



-® Essa historinha é mais do que um desabafo. É, principalmente, um testemunho histórico para registrar o processo de escolha de quem é ou não é digno de figurar numa “Enciclopédia”, nos primórdios da Internet.

Escrito por doutorsilveira às 23h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/02/2008


Acessando Um Assessor

Ray Silveira

Procurei acessar um assessor. Nada havia. Logo, nada via. Tratei de tratar um vice, se vice-assessor eu visse e me ouvisse. Também não havia. Ainda era cedo, por isso cedo ao desejo de prosseguir a busca. Ao meio-dia, já meio cansado, desisto. Depois do almoço, vou ao moço do elevador.

- Proibido fumar?

- Charuto? Não...

Acendo um e ascendo ao quinto.

- Ando a cata de um assessor. O ascensorista me indicou...

- Por enquanto não há.

- Acato. Não me exaspero: espero.

- Não precisa. Há substituto precisamente à sua frente.

- Nesta secção?

- Não está havendo sessão, moço.

- Nem cessão de direitos?

- Não! Em frente.

- Enfrente? Ele é valente?

- Boa tarde, senhor assessor.

- Boa tarde. Não sou assessor, sou vice.

- Seja... Gostaria que me ouvisse

- O que deseja?

- Tratar de um assunto junto a essa assessoria.

- Acerca de...

- Cerca.

- Está brincando?

- Não brinco; apenas uso.

- Usa o quê?

- Brinco

- Já vi. Muito bem. Acerca de que cerca o senhor quer tratar?

- Acerca da cerca da minha casa. Foi derrubada por um trator.

- E não tratou de consertar?

- Não tem conserto. E ainda que tivesse, hoje tem concerto.

- O senhor está a fim de me gozar?

- Não senhor. É que tenho um tio afim que é músico e fiquei de levá-lo ao conservatório.

- Conserva o quê?

- Não conservo nada. O senhor é quem tem de conservar. Não estou disposto a pagar imposto e ficar exposto aos marginais.

- O que quer que eu faça?

- Autorizar logo o conserto da minha cerca, para que eu possa ir ao concerto.

- Logo? O assessor não está. Logo, tem de esperar.

- Espero. Não me desespero.

- Quanto tempo tinha a sua cerca?

- Dois anos.
- Não falo do senhor. Já vi que tem dois ânus. Falo da cerca.

- Agora o senhor quer me humilhar... Fui operado há cerca de três meses. Ainda não me acostumei.

- Bem, já que o senhor está bem, bem podia mandar reconstruir a cerca.

- Tudo bem. Contanto que me dêem tanto...

- Quanto?

- Cerca de dois mil.

- Tanto assim?

- Sim

- Cerca de dois mil? Era cerca de ferro?

- Não. Era de pau.

- Que sujeito pau! Tome. Não tome mais meu tempo. Pegue o cheque.

- Xeque

 

Escrito por doutorsilveira às 12h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Histórico